
A localização é um dos principais elementos da decisão de hospedagem porque, em muitas viagens de lazer, o consumidor escolhe primeiro para onde quer viajar e depois decide em qual hotel vai se hospedar. Antes de desejar um determinado quarto, ele pode desejar conhecer Trancoso, antes de escolher um hotel no Rio de Janeiro, ele já decidiu que deseja viajar para o Rio, antes de comparar pousadas em Porto Seguro, existe uma boa chance de ele já estar interessado em passar alguns dias no destino.
Por isso, um hotel não deveria comunicar apenas sua estrutura, ele precisa também comunicar o lugar onde está inserido.
Na prática, isso significa transformar o destino em parte da estratégia de marketing para hotéis, a localização deixa de ser apenas um endereço e passa a ser argumento de venda.
Quando alguém reserva um hotel, não está comprando simplesmente uma cama para dormir, está comprando uma experiência que acontecerá em determinado lugar.
Mesmo quando o objetivo da viagem é descansar, o ambiente ao redor da hospedagem continua fazendo parte dessa experiência, praia, gastronomia, natureza, atrações, centro histórico, vida noturna, acesso, segurança, distância de pontos turísticos e facilidade de deslocamento podem influenciar a decisão.
É por isso que gosto de resumir essa estratégia em uma frase: o hóspede não compra só uma cama. Ele compra o que vai viver naquele destino. E isso muda completamente a forma como um hotel deveria pensar seu marketing.
Imagine uma pessoa planejando as próximas férias.
É bastante comum que o pensamento inicial seja: “Quero conhecer Trancoso.”
E não: “Quero conhecer o Hotel X.”
Depois que o desejo pelo destino aparece, começa uma nova fase da jornada, a pessoa pesquisa passagens, clima, praias, restaurantes, passeios, bairros e, naturalmente, hospedagem, nesse momento, diferentes hotéis começam a disputar sua atenção.
É justamente por isso que um hotel que produz conteúdo apenas sobre si mesmo pode entrar tarde demais nessa jornada, se a empresa começa a conversar com o turista quando ele ainda está descobrindo o destino, aumenta a possibilidade de estar presente em mais etapas da decisão.
Isso não significa que o hotel precisa virar um portal de turismo, significa entender que parte do trabalho de marketing é contextualizar a hospedagem.
Um hotel em Trancoso pode falar sobre o Quadrado, praias, gastronomia, como chegar ao destino, distâncias e experiências.
Um hotel próximo à Avenida Paulista pode explicar sua localização em relação aos principais pontos da cidade, restaurantes, hospitais, centros culturais e eventos.
Uma pousada em Porto Seguro pode mostrar praias, Centro Histórico, Arraial d’Ajuda, Trancoso, gastronomia e experiências disponíveis na região.
O hotel continua sendo o produto central, mas o destino ajuda a construir o desejo necessário para que aquele produto seja comprado.
Esse é um ponto importante.
Quando falamos em localização no marketing hoteleiro, não estamos falando apenas de informar: “Estamos localizados na Rua X, número Y.”
Isso é informação.
Estratégia de localização é responder às dúvidas que existem antes da reserva.
Por exemplo: “Quanto tempo o hotel fica do aeroporto?”, “É possível fazer os principais passeios saindo dali?”, “A praia é próxima?”, “Precisa de carro?”, “Existem restaurantes por perto?”, “Qual é a distância do centro?”, “Como chegar?”, “Qual é o melhor aeroporto?”, “O hóspede consegue fazer determinadas atividades a pé?”.
Essas perguntas parecem operacionais, mas também são comerciais, quanto mais insegurança existe na compra, maior a possibilidade de abandono. Conteúdo sobre localização ajuda a diminuir essa incerteza.
Conteúdo de destino pode ajudar o hotel a ser encontrado no Google.
Existe ainda uma oportunidade de SEO importante.
Se o site do hotel possui apenas páginas como: “Sobre nós”, “Quartos”, “Piscina”, “Reservas”. O universo de pesquisas nas quais ele pode aparecer é relativamente limitado.
Agora imagine um hotel produzindo conteúdos relacionados à intenção real do viajante: “Como chegar a Trancoso”, “O que fazer em Trancoso em 3 dias”, “Melhores praias próximas a Trancoso”, “Quando viajar para Porto Seguro”, “Onde ficar perto da praia em Porto Seguro”, “O que fazer no Rio de Janeiro no fim de semana”.
Essas pesquisas podem acontecer antes mesmo de a pessoa começar a procurar um hotel específico. É uma oportunidade de colocar a marca dentro da jornada de viagem mais cedo.
E isso também importa para mecanismos de inteligência artificial.
A forma como as pessoas procuram informação está mudando, além do Google tradicional, consumidores já utilizam assistentes e mecanismos baseados em inteligência artificial para perguntas como: “Qual região é melhor para se hospedar em Trancoso?”, “Como chegar do aeroporto de Porto Seguro até Trancoso?”, “Qual hotel fica perto do centro?”, “Vale a pena ficar hospedado perto da praia?”.
Para que uma marca tenha mais possibilidade de ser compreendida e associada a determinado destino, o conteúdo precisa deixar claras essas relações.
Hotel, cidade, bairro, praia, aeroporto, pontos de interesse, experiências, distâncias, características da localização,
Isso contribui para que mecanismos de busca e sistemas de IA compreendam melhor onde aquele hotel está, para quem ele é relevante e em qual contexto ele pode aparecer. É uma das razões pelas quais SEO e GEO precisam ser trabalhados juntos.
Outro erro comum é produzir um feed inteiro mostrando apenas quartos, café da manhã e piscina.
Tudo isso é importante.
Mas existe um teste muito simples.
Abra o Instagram do hotel e imagine que o nome da propriedade desapareceu, uma pessoa conseguiria identificar em qual destino aquele hotel está?
Se a resposta for não, provavelmente existe uma oportunidade, o perfil deveria ajudar o visitante a desejar não somente a hospedagem, mas também aquela viagem.
Mostrar praia, gastronomia, cultura, acontecimentos, paisagens e experiências locais ajuda a contextualizar o produto, o destino passa a funcionar como uma espécie de cenário permanente da marca.
Esse princípio fica ainda mais relevante quando falamos de anúncios. Imagine um anúncio mostrando apenas uma cama, pode ser uma cama extremamente bonita, mas poderia estar em dezenas de cidades diferentes.
Agora imagine que a mesma campanha mostra o hotel conectado ao destino, o consumidor entende rapidamente: onde está, que tipo de viagem pode viver, quais experiências existem naquele lugar e por que deveria considerar aquela hospedagem.
No tráfego pago para hotéis, o anúncio não precisa necessariamente vender somente: “Reserve este quarto.”
Ele pode primeiro criar: “Eu quero estar nesse lugar.”
E depois conectar esse desejo ao hotel, é uma diferença importante.
Antes de vender o hotel, às vezes é preciso gerar desejo pela viagem.
Marketing hoteleiro não deveria começar sempre pelo produto, dependendo da etapa da jornada, o consumidor ainda está escolhendo a viagem.
Nesse momento, mostrar uma tarifa ou uma categoria de apartamento talvez não seja o argumento mais poderoso, uma praia vazia, um pôr do sol, um roteiro, uma experiência gastronômica, uma caminhada pelo centro histórico, uma experiência familiar.
Tudo isso pode ajudar a criar o desejo inicial, depois, o hotel aparece como a base ideal para viver aquilo.
É exatamente essa conexão que uma estratégia de marketing precisa construir.
Uma boa estratégia editorial pode transformar inúmeras dúvidas dos hóspedes em conteúdo, o hotel pode falar sobre como chegar, melhores épocas do ano, eventos da região, restaurantes próximos, praias, atrações, roteiros, passeios, tempo de deslocamento, aeroporto mais próximo e características de cada região.
Também pode responder perguntas específicas que a equipe de reservas recebe diariamente. Aliás, esse é um excelente lugar para encontrar pautas.
Se dez hóspedes perguntam a mesma coisa pelo WhatsApp, existe uma boa chance de outras centenas de pessoas também estarem pesquisando aquilo no Google ou perguntando para uma inteligência artificial.
A dúvida do atendimento pode virar conteúdo, e o conteúdo pode ajudar a gerar uma futura reserva.
Quando o próprio hotel produz conteúdo relevante sobre sua região, ele cria mais motivos para o viajante entrar nos canais próprios da marca, e esse é um ponto estratégico para venda direta.
A pessoa pode chegar ao site procurando informações sobre o destino.
Conhecer o hotel, explorar os quartos, consultar valores, e finalmente reservar.
O conteúdo, portanto, não precisa gerar uma venda imediatamente para ter valor, ele pode ser a porta de entrada para uma jornada que terminará na reserva.
Não dependa apenas dos canais de distribuição para explicar onde seu hotel está
OTAs são extremamente importantes para a distribuição hoteleira, mas a comunicação própria do hotel tem outra função.
No site, redes sociais, Google e conteúdos próprios, existe muito mais espaço para construir contexto, diferenciação e posicionamento, o hotel consegue explicar não apenas onde está, mas por que aquela localização é interessante para determinado perfil de viajante.
Essa diferença é importante.
“Estamos a 500 metros da praia” é uma informação, “Você consegue sair do hotel caminhando e estar na praia em poucos minutos, sem depender de carro durante a viagem” transforma a informação em benefício.
Marketing faz justamente essa tradução.
Dois hotéis semelhantes podem ocupar posições completamente diferentes na cabeça do consumidor dependendo de como apresentam sua localização.
Um pode ser percebido como: hotel próximo à praia.
Outro pode ser percebido como: hotel ideal para quem quer viver a praia sem precisar usar o carro.
A localização é a mesma.
O posicionamento é diferente.
Esse raciocínio também pode ser usado para hotéis próximos a centros empresariais, hospitais, aeroportos, centros históricos, parques, centros de convenções e atrações turísticas.
Não basta informar onde o hotel está, é preciso explicar por que estar ali é interessante para o hóspede.
Perguntas frequentes sobre localização e marketing para hotéis
A localização interfere na decisão de escolha de um hotel?
Sim. Distância de pontos de interesse, facilidade de deslocamento e relação com o objetivo da viagem podem influenciar significativamente a escolha da hospedagem.
O hotel deve produzir conteúdo sobre o destino?
Sim. Conteúdos sobre o destino ajudam o consumidor a planejar a viagem e podem colocar o hotel em etapas anteriores da jornada de compra.
Mostrar o destino ajuda na venda direta?
Pode ajudar. Conteúdo relevante pode atrair consumidores para canais próprios do hotel e criar oportunidades para apresentar a hospedagem e conduzir o visitante à reserva direta.
A localização deve aparecer em anúncios de hotéis?
Em muitas campanhas, sim. Mostrar ou contextualizar o destino ajuda o consumidor a compreender rapidamente onde o hotel está e qual experiência aquela viagem pode proporcionar.
O que é GEO para hotéis?
GEO é a otimização de conteúdo para aumentar sua compreensão e possível utilização por mecanismos baseados em inteligência artificial. Para hotéis, isso envolve produzir informações claras e consistentes sobre a propriedade, destino, localização, serviços, público e experiência oferecida.
Existe uma mudança simples de pensamento que pode melhorar muito a comunicação de uma hospedagem.
Em vez de perguntar apenas:
“Como eu mostro melhor meu hotel?”
pergunte também:
“Como eu faço meu hóspede desejar estar aqui?”
Porque, principalmente no turismo de lazer, hotel e destino estão profundamente conectados, o consumidor não está comprando apenas quatro paredes.
Ele está comprando alguns dias da própria vida naquele lugar.
Por isso, localização deve fazer parte do conteúdo, do site, do tráfego pago, das redes sociais, do SEO e da estratégia de venda direta.
Na Checkin Marketing para Hotéis, enxergamos marketing hoteleiro de forma integrada: posicionamento, conteúdo, distribuição, tráfego, atendimento, tecnologia e conversão precisam trabalhar juntos.
Mas, antes disso, muitas vezes o seu destino precisa ser desejado.

Sobre a autora:
Brígida é especialista em marketing para hotéis e atua na estratégia de venda direta e posicionamento de empresas da hotelaria. É fundadora da Checkin Marketing para Hotéis, agência especializada em marketing, vendas, distribuição e estratégias de conversão para hotéis, pousadas e resorts no Brasil.
